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quarta-feira, 13 de julho de 2011

CAFÉ CATA-VENTOS - A lagarta que aqui cresceu

Aqui no café, logo que se entra pela porta, na parede lateral direita tem uma estante com alguns livros, é uma pequena biblioteca que disponibilizo para os clientes que desejam uma leitura. Como eu não tenho controle, os livros não saem daqui, se não conseguiu ler tudo em um dia não poderá levar, terá que voltar para prosseguir. É uma boa maneira de fidelizar os clientes.
Alguns desses livros são doados por amigos e clientes, e um deles tem uma história muito legal de como ele veio até a minha biblioteca. O livro em questão é o “Caso da Borboleta Atíria”, mas deixe-me contar como aconteceu.
Antigamente eu tinha uma cliente que vinha todas as manhas com seu filho aqui no café, ela vinha para buscar um sanduíche natural e já seguia seu caminho com o seu filho. Com o tempo e conforme fui conhecendo ela, fiquei sabendo que ela daqui ia levar o filho no colégio que existe aqui próximo e logo depois ia trabalhar.
Na porta do café existe um vaso com uma pequena arvore, aquelas arvores de escritórios, que não crescem muito. E em uma desses dias me chamou atenção o filho da moça um dia ficou parado olhando para o vaso e quando sua mãe o chamou para irem ele a chamou e lhe mostrando uma lagarta perguntou o que era.
- A meu filho - falou ela com uma cara um pouco de repugna ao ver o animal - o que você quer com esse animal feio? - e começou a apurar a criança
- Mãe, Mãe, só quero saber o que é, ele é tão estranho.
- É uma lagarta filho, e agora vamos que estamos atrasados.
No outro dia eu vi que a criança, estava com um ar mais curioso em relação a lagarta. Vendo este interesse fui conversar com o garoto para saber o que tanto lhe atraía.
- Vejo que continua interessado na lagarta - falei ao me aproximar
- É eu quero ver ela virar borboleta - falou o garoto, e antes que eu pudesse falar algo, ele prosseguiu - Eu contei pra sora ontem desse bichinho, e ela contou que as lagartas viram borboletas, quero ver essa virar uma.
Fiquei admirado e acompanhei o guri olhando a lagarta que neste exato momento estava degustando uma das folhas da árvore. Percebi que ele tinha na mão um livro, e reconhecendo a capa, perguntei.
- E este livro? Não é o Caso da Borboleta atiria?
- É sim, a sora depois que eu falei sobre a lagarta ela falou pra gente ler este livro.
- Achei muito boa a atitude dela - Comentou a mãe da criança se aproximando - Mas agora temos que ir senão você chega atrasado na aula.
Passava os dias e a criança estava sempre atenta aos movimentos da lagarta, até que um dia ele não a encontrou. Com os olhos cheio de lágrima veio me perguntar se eu tinha tirado ela dali.
- Não, e ninguém mexeu na planta também - eu respondi
- Mas ela não está mais lá, cadê ela?
- Deixe-me ver - E fui ver o paradeiro da lagarta
A lagarta não tinha fugido, ela tinha ja tinha feito seu casulo, por isso ele não a encontrou. Mostrei o casulo e expliquei de uma forma rápida o que estava acontecendo, e assim ele se acalmou, E me perguntou?
- Será que ela vai ser igual a do meu livro?
- Teremos que esperar para ver - eu respondi.
E antes de irem embora, a mãe do garoto deixou um cartão e pediu, se não fosse incomodo, eu entrar em contato com ela se eu visse o casulo se abrindo, para ela poder trazer o filho.
Bem, queria que o garoto visse aquela borboleta, ele acompanhou a evolução daquela lagarta, todas as manhãs ficava olhando para o casulo, e muitas vezes comentava que via o bichinho se mexendo lá dentro. Comecei realmente a cuidar, qualquer sinal de que ela ia sair do casulo, eu iria entrar em contato, para assim o garoto poder ver.
Era umas 9hs da manhã, e o casulo começou a se abrir, e com isso entrei em contato com a mãe do garoto.
- Oi, é a mãe do garotinho que vem todos os dias ver a lagarta?
- Sim, sou eu - Não precisei contar - Vai me dizer que ela está saindo?
- Sim, arressem começou a abrir, imagino se vir rápido conseguem ver ela saindo ainda.
- Moço, eu não consigo ir ai, mas vou telefonar para o colégio e farei o possível para ele ir ai.
- Legal, mas rápido, pois não posso trancar ela lá dentro não!.
Desliguei o telefone e torci para nenhum cliente aparecer, pois também estava admirando o acontecimento. Dado uns 5 minutos eu comecei a ouvir vozes de crianças, quando fui olhar para o lado que vinham as vozes me deparei com umas 20 crianças, paradas na minha frente
- O tio, aonde está a Atíria? - Um deles me perguntou
- Aqui, aqui - Respondeu por mim o garoto que acompanhou o crescimento da lagarta - que legal, ela está saindo
Me afastei e deixei aquela criançada olhar, foi quando eu percebi a professora, que me contou, que depois de que o garoto todos os dias falava sobre a lagarta e que ela tinha virado um casulo, que com isso não só ele, mas quase todos estavam lendo o livro, e assim já tinham até colocado o nome da borboleta de Atíria, por causa das aventuras do livro.
- Não toquem, lembre-se ela tem que sair sozinha - falou a professora para os alunos
- Ta bom sora - respondeu um deles
O espetáculo não durou muito, logo a borboleta saiu por completo do casulo, mexeu suas asas e já saiu voando em busca de flores, algumas crianças saíram correndo na parte de fora para ver aonde ela ia, e logo ela se sumiu por entre as árvores que existem aqui ao redor.
A professora me agradeceu por ter avisado e chamando os alunos voltou para o colégio. No outro dia, como de costume a mãe e o garoto pela manhã passaram aqui, mas o garoto não mas olhava para as árvores, tentando observar a sua borboleta. A mãe me entregou o livro para eu colocar na minha estante, me contando que aqui será mais útil do que na casa deles, onde todos já leram o livro.
De vez em quando eu recebo uma visita de alguma daquelas crianças, hoje já maiores, que vem e ficam contemplando as árvores para quem sabe ver a Atíria, a borboleta que aqui cresceu.

2 comentários:

Rodrigo Moraes disse...

Como já havia te comentado, a sutiliza e a simplicidade melhorou muito desde o primeiro epísódoi (?) do Café Cata-Ventos.

parabéns!

Daiane Santana disse...

De fato um belíssimo conto!
quando criança eu tinha estes devaneios de observar minhocas, formigas e até mesmo lagartixas que colocavam ovos em um barracão que tínhamos próximo a minha casa... quando fui crescendo percebi que gostava mesmo daquilo, tenho por mim que é por isto que sou engenheira Ambiental hoje... No mais, adorei o conto, me fez lembrar de coisas boas da minha infância... =D

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